sexta-feira, 21 de junho de 2013

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amor é chegar a casa e dançar a música que temos cá dentro.

é isto.

Eis o que quero, um dia, deixar aos meus filhos: façam tudo o que têm a fazer, sem arrependimentos. Sejam verdadeiros. Não digam coisas da boca para fora. Conduzam calmamente, sem buzinar a cada arrancar vagoroso. Deixem-se ir pelos sentimentos. Sigam os vossos instintos. Façam amigos para a vida. Retirem de todos os dias um motivo para sorrir. Ajudem os mais fracos, os menos populares, os tímidos. Façam do respeito e da educação as vossas principais preocupações. Comam de boca fechada. E devagar. Apreciem cada momento. Não tenham medo de tentar. Mas, acima de tudo, a vida é aquilo que fizerem dela, sejam felizes.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ainda os professores

Tive a sorte de, ao longo da vida, encontrar professores que me inspiraram. Que me fizeram gostar das palavras. Que me incentivaram a escrever. Que me levaram a acreditar que a educação era uma mais valia. Nesse tempo, os alunos ainda não batiam nos professores, convidavam-nos inocentemente para jantares de turma, por os verem como parceiros. Nesse tempo, os pais não achavam que a tarefa dos professores era tomar conta das crianças, mas antes admiravam-nos pela sua sabedoria, pela paciência, pela atenção. Nesse tempo, noutros tempos, os professores não eram os nossos melhores amigos mas gostávamos de os ter por perto. Nesse tempo ainda havia respeito por quem passava tanto tempo a preparar-nos para o futuro. Nem todos os professores são iguais, claro, e há uns melhores do que outros mas tenho grandes recordações de ensinamentos passados. A professora que me incentivou a escrever mais e mais, o professor que dava aulas fora da sala, no pátio, com quem descobri os poemas de Eugénio de Andrade e muitos outros que vieram a seguir, a professora para quem serei eternamente a ritinha do seu coração, a que ia aos nossos jantares e sabia todas as histórias, aquele professor que admirava em cada frase. Na altura, nesse tempo, não percebia que estas pessoas ainda iam para casa corrigir ou elaborar os nossos testes, que ainda tinham reuniões de avaliação, correcção de provas, preparação de aulas e por aí fora. Dirão que nem todos os professores o fazem com este cuidado: admito que sim. Mas há muitos que o fazem. E há muitos que passam o domingo com testes à frente. Nunca assisti a nenhuma revolta séria contra professores, no meu tempo eram vistos como essenciais : para o futuro, para a formação, para o dia-a-dia. Quando penso na greve de ontem, penso em todos os dias que eles passaram a trabalhar fora do horário estabelecido, penso no sorriso do professor de português, das gargalhadas na aula de francês, nas aprendizagens que tive no pátio da escola, numa aula a que ninguém faltava. Penso nos meus filhos, que um dia irei ter, e nos professores cansados, fartos da desconsideração, sem paciência, que eles vão encontrar pela frente. Penso na falta de noção de quem os desrepeita, na desconsideração de que têm sido alvo, na maneira vergonhosa como o governo vira a conversa de maneira a que pensem que os professores são os maus da fita. Não são. Houve alunos que não fizeram exame? Temos pena. O mundo não vai acabar e o exame vai ser feito, mas mais tarde. E é importante relembrar que o governo teve a possibilidade de mudar o dia do exame, de modo a não prejudicar os alunos e que, por teimosia, ignorância ou falta de valores, não o fez. No meu tempo, nesse tempo, os professores tinham dignidade, respeito e todos reconheciam o seu valor. Não eram bruxas, não se juntavam para estragar a vida dos estudantes, não se limitavam a ensinar. Mas, lá está, agora também não.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

mundo.

O mundo cai aos nossos pés, como um caco. Corta-nos sem aviso, nas estradas por que nos leva. Nem todos são bons, nem todos os sorrisos vêm agarrados a abraços. O mundo cai aos nossos pés, num instante, aperta-nos o coração, deixa-nos a apanhar os cacos de uma esperança perdida.