quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ainda os aeroportos

Vivesse eu noutro lugar e com mais milhas para gastar. Soubesse melhor do que ninguém que não há razão para ter medo, que o avião é o transporte mais seguro do mundo, que o piloto sabe muito bem o que faz e que não vale a pena entrar em pânico.
Gostasse eu de olhar para toda a gente, de ver que as crianças raramente ficam ansiosas com a viagem, antes pelo contrário, o corpo todo expulsa entusiasmo. Gostasse eu de ver as despedidas, de namorados a chorar, abraçados, de pais e mães a tentar conter as lágrimas enquanto agarram os filhos, de amigos a desejar boa viagem e bom regresso e boas aventuras. Não me pusesse nervosa todas as pessoas que passam por mim com a ansiedade no sorriso amarelo e uma superstição agarrada à pele. Não fosse eu atenta a todos os rituais do disfarce, folhas a virar, livros abertos sem se ler, calmantes pelo corpo dentro. E não gostasse eu de compras, de relógios, malas, cremes e afins.
E não soubesse eu que os reencontros são a melhor parte de viver noutro lugar, que os braços abertos são a melhor recompensa. Arranjasse eu pipocas e a minha vida seria numa daquelas cadeiras, daquelas cadeiras que se fossem um livro, seriam o livro de uma vida.
Vivesse eu noutro lugar e tratasse todas as emoções por tu. Soubesse eu como digerir tudo o que vejo. Arranjasse eu maneira de fazer do regresso um só terminal.

Vivesse eu noutro lugar e viveria no aeroporto.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Como o Diogo casou-se parece tão pouco para dizer tudo.


Há coisas de que não falamos.
Porque tudo o que saísse seria pouco. Porque o amor pareceria uma coisa tão longínqua como aquela primeira dança em que as mãos queriam mais do que a cara e os corpos queriam mais do que uma pista. Há coisas de que não falamos porque a ternura pode partir-se e os passos até ao altar podem não ser mais do que corridas. Porque nada do que alguma vez conseguíssemos arrancar dos nossos gestos iriam mostrar como os brindes são mais do que copos a bater e os parabéns são imensamente mais do que palavras e sorrisos, são muito mais do que gosto de ti, são muito mais do que sejam felizes para sempre. Há coisas de que não falamos porque teríamos de explicar como, por um momento, por um segundo, os finais felizes nos pareceram tão reais. E nunca seria possível arrancar dos nossos corpos mais do que gargalhadas nervosas e lágrimas ao canto dos olhos aqui ou ali, jamais aconteceria confirmarmos que há decisões que nos libertam mais do que pesam. Há coisas que não revelamos porque seria explicar todos os matraquilhos, bebidas, jantares e momentos que levaram a uma qualquer coisa de especial, a um pequenino, muito pequeno, quase inexistente sabor a irrealidade. Há coisas de que não falamos porque seria como quebrar uma promessa, porque o que é nosso não contamos a mais ninguém. Porque o balanço da voz poderia pisar a cauda do vestido e o sorriso meio derretido poderia separar as mãos que estavam pegadas na igreja. Há coisas de que não falamos porque o sussurro talvez interrompesse as guitarradas e os cavaquinhos e tudo o que faz com que os rodopios pareçam o gesto mais elegante do mundo. Porque seria reconhecer que a vida muda mas que a cumplicidade volta num estalar de dedos, mesmo que só por uma noite, mesmo que nunca mais aconteça outra vez. Há coisas que preferimos salvar dos outros olhares, até porque mesmo se tentássemos explicar não nos sairia mais do que três ou quatro palavras quando, se calhar, se calhar não, de certeza, o que precisávamos mesmo era de uma orquestra, um clarinete, um piano, uma ou outra voz, quando o que precisávamos mesmo era uma orquestra que fizesse tudo caber numa caixa de música.

Há coisas de que não falamos porque os sorrisos não caberiam nas nossas palavras.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ou então esta.



esta então era um mimo.
(ai, as polaroids)

ah pois era.


(lomografia)

falta pouco mais de uma semana.
para além de paz no mundo, qualquer uma destas era muito bem vinda.
(principalmente a de sequência)

beijinhos



(Ela a dar-me beijinhos sem parar)
- ai que bom.
- pronto, já chega.
- já tenho beijinhos para o ano inteiro.
- não pode ser, porque a mãe não me deixa não dar beijinhos às pessoas quando elas chegam.


que eu adoro crianças já todos sabem. ai, mas crianças educadinhas, essas valem ouro.

.


dizer-te sem abrir a boca que vou tomar conta de ti a vida toda.