quarta-feira, 13 de abril de 2011

Regresso.


Lisboa cheira a casa. Sabe a praia misturada com noites quentes e braços descobertos. Parece que todos os cantos são um novo regresso e cada rua um sorriso diferente.

Tenho cá para mim que estou apaixonada por Lisboa.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

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e dizer-te sem ter de te explicar, tentar no meu silêncio puxar das palavras para te contar, sem rodeios, sem vírgulas nem dois pontos, tudo de seguida, quase como aquelas frases compridas em que a respiração chega ao fim sem fôlego, dizer-te sem omitir, num parágrafo inteiro ou numa rima, ou nuns parêntesis, porque aí é como se ficasse suspenso, à parte, é como se fosse um segredo, não interessa como, na verdade, ainda estou à espera que inventem uma maneira melhor, uma só palavra que diga o que eu só consigo explicar num capítulo, e eu aqui a andar às voltas só para te dizer, mas às vezes as letras saem-me ao contrário, como que a desafiarem-me, como se me dissessem vamos lá ver se tens coragem, e eu a trocar-me toda, se calhar não é a altura certa mas agora já comecei, já é tarde para cantigas porque senão cantava uma, como quem cala o nervosismo, e tudo porque sei que se não for agora, as palavras, que não são palavras, ficam entaladas nos meus sentidos, se não for agora, depressa muito depressa, nunca mais te vou tentar dizer nada só com o meu silêncio, e dizer-te que nunca mais vou ter esta urgência de falar, e dizer-te sem dizer, sem hesitações, sem saber se concordas, que fazes sentido em mim.