sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

dizer-te


e dizer-te que não precisas de pôr o fato, não vale a pena levares-me a jantares românticos e a sítios caros, explicar-te que puxares da tua carteira, embora não consiga negar que tem um pouco, um pouquinho de sexy, não é mais do que me dizeres o que eu já sei, e que não é teres dinheiro, é estares disposto a gastar o que tens e mais, gastar comigo, eu mesma, não posso dizer que não me faça sorrir, mas é dizer-te que não vale de nada pores esse ar importante e puxares assuntos de economia só porque sabes, sim, só porque queres mostrar que sabes, só para provares que és inteligente, é garantir-te que não preciso de mil e um presentes nem quinhentas surpresas, embora seja algo, ou se é, que todas nós sonhamos, é jurar-te que não precisas de tirar o teu casaco e pô-lo sobre os meus ombros e eu a prometer-te que não tenho nem um bocadinho de frio, que aliás até está um certo calor, nada a ver contigo, nada relacionado com o facto de estares aqui e a tua mão estar a tocar na minha, é ter a certeza que não precisas de silenciar o telefone só porque estás na mesma mesa que eu, só porque estamos a conversar ou eu estou a tagarelar, tenho a certeza que eu tagarelo mais do que tu falas, é dizer-te que isso é tudo muito charmoso e, ou se é, isso é tudo feito por ti, que parece não existires nessa tua toda doçura, mas é garantir-te, a ti, para teres a certeza, para nunca duvidares, para não te esforçares tanto, que me ganhaste, que foste meu mal sorriste, que me ganhaste mal ouvi a tua voz, que és meu desde que me cruzei contigo por acaso, ou então não foi por acaso, foi mesmo mesmo propositado, estudado ao minuto, mas isso não interessa, porque me ganhaste desde que me disseste olá e me desmascaraste com o teu sorriso.

2 comentários:

Anónimo disse...

PARA TIAGO, VERSAO SARAMAGO!!! Perdi o folego mas adorei... bjs, GUida

Marta Machado Martins disse...

Venero perdidamente este teu texto. Por tudo, especialmente por não ser para ninguém e, mesmo assim, teres tido a capacidade de o escrever desta maneira. Porque são raras as almas que conseguem cozinhar palavras sem que estas tenham um destinatário. E tu escreves e escreves assim porque te corre aí dentro a arte da escrita. Admiro-a e admiro-te por isso.