quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

E a facilidade


com que esta mulher põe todas as outras a um canto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O meu coração


O meu coração é tão fácil. Comove-se com histórias de amor, daqueles amores impossíveis, daqueles amores que não estavam destinados a resultar. Adora comandantes que salvam os passageiros ao aterrar no rio Hudson ou então os outros que atrasam o voo para um passageiro chegar a tempo de ver o neto. O meu coração chora com filmes. E com séries. E com livros. O meu coração ressente-se com despedidas e desculpa muitas vezes, até já não haver desculpa. O meu coração, às vezes, até me tenta desafiar a ir fazer um bocadinho de companhia aos sem-abrigo. O meu coração derrete-se cada vez que vê uma criança.
O meu coração arma-se em forte, mas é um coração mole.

domingo, 16 de janeiro de 2011

"São os putos deste povo a aprenderem a ser homens"


Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando na mão
A vontade que salta ao eixo
Um puto que diz que não
Se a porrada vier não deixo

Um berlinde abafado na escola
Um pião na algibeira sem cor
Um puto que pede esmola
Porque a fome lhe abafa a dor.

Ary dos Santos

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

New beginnings


Começar de novo, mesmo com medo, mesmo com a sensação de que o chão nos falhou, mesmo sem certezas, pode ser o inicio de um novo conto de fadas.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

dizer-te


e dizer-te que não precisas de pôr o fato, não vale a pena levares-me a jantares românticos e a sítios caros, explicar-te que puxares da tua carteira, embora não consiga negar que tem um pouco, um pouquinho de sexy, não é mais do que me dizeres o que eu já sei, e que não é teres dinheiro, é estares disposto a gastar o que tens e mais, gastar comigo, eu mesma, não posso dizer que não me faça sorrir, mas é dizer-te que não vale de nada pores esse ar importante e puxares assuntos de economia só porque sabes, sim, só porque queres mostrar que sabes, só para provares que és inteligente, é garantir-te que não preciso de mil e um presentes nem quinhentas surpresas, embora seja algo, ou se é, que todas nós sonhamos, é jurar-te que não precisas de tirar o teu casaco e pô-lo sobre os meus ombros e eu a prometer-te que não tenho nem um bocadinho de frio, que aliás até está um certo calor, nada a ver contigo, nada relacionado com o facto de estares aqui e a tua mão estar a tocar na minha, é ter a certeza que não precisas de silenciar o telefone só porque estás na mesma mesa que eu, só porque estamos a conversar ou eu estou a tagarelar, tenho a certeza que eu tagarelo mais do que tu falas, é dizer-te que isso é tudo muito charmoso e, ou se é, isso é tudo feito por ti, que parece não existires nessa tua toda doçura, mas é garantir-te, a ti, para teres a certeza, para nunca duvidares, para não te esforçares tanto, que me ganhaste, que foste meu mal sorriste, que me ganhaste mal ouvi a tua voz, que és meu desde que me cruzei contigo por acaso, ou então não foi por acaso, foi mesmo mesmo propositado, estudado ao minuto, mas isso não interessa, porque me ganhaste desde que me disseste olá e me desmascaraste com o teu sorriso.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

não querendo mas já dizendo.


não quero começar o ano a dizer mal mas há coisas que uma pessoa não consegue controlar (e também como já escrevi um post antes, não é bem começar o ano a dizer mal)

então e as pessoas que mudam de personalidade quando arranjam namorado? e os que deixam de aparecer? e os que nunca mais dizem nada? ah pois é, meus queridos. há coisas sem explicação.

e se é verdade que já todos passámos por isso, também é verdade que tínhamos 16 anos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

nada a dizer.


O ano que passou foi amoroso comigo.
Não deixei nada por dizer. Fiz novos amigos, conheci pessoas interessantes e outras que não valiam a pena. Tive medo de muitas coisas mas não fugi de nenhuma porque acredito na máxima de que não é coragem se não houver medo. Aprendi que consigo sozinha muito mais do que pensava. E dou muito mais valor ao que tenho porque aprendi que as pequenas coisas são as que mais importam. Tive muitas surpresas agradáveis e uma ou duas desilusões. Dei espaço para algumas pessoas entrarem na minha vida e ficarem nela como parte da família. Tive paciência para esperar por aquilo que queria, tive persistência para o conseguir e força para ir para longe apesar do nervoso miudinho. Muitas coisas correram mal mas só para me ensinar que não sou das que desisto. Disse tudo o que tinha a dizer, na altura certa. Chorei o que tinha que chorar. Ri muito mais do que chorei. Tive saudades (e com isso tive também muitos reencontros). Tive zangas e fiz as pazes. Disse mal de muita coisa. Fui irónica 50% do ano. Juntei mais um ano a muitas amizades que realmente importam.

2010 foi um amor comigo. Mas também teve uma ajudinha minha.
Agora não vai ser fácil 2011 surpreender-me - é a tal coisa das expectativas.