sexta-feira, 30 de abril de 2010

Clarividência





- Gosto de ti.
- Eu também gosto de ti. 
- És a minha melhor amiga.
- Tu também. 
- Mas não gosto que sejas tão refilona. 
- Também não gosto que sejas tão teimosa.
- E que aches que tens sempre razão. 
- E que nunca me emprestes dinheiro. 
- E que me estejas sempre a pedir dinheiro emprestado. 
- Odeio quando os meus amigos gostam sempre mais de ti. 
- E eu que estejas sempre a cantar. 
- Não gosto que tenhas que ser sempre o centro das atenções. 
- Não gosto que chores por tudo e por nada. 

....

- Afinal tens muitos defeitos. 
- Tu também. 



As pessoas imperfeitas têm muito mais piada. 



Amigos por afinidade



Amigo do meu amigo, meu amigo é. 
Não é suposto ser mesmo assim, pois não?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O civismo (ou a inexistência dele)





Ontem a tarde, mesmo mesmo naquela altura em que toda a gente sai do trabalho ao mesmo tempo e corre para o carro não vá perder o lugar entre este e aquele carro durante 20, 30 ou 40m, deparei-me frente a frente com o ser, ou melhor, os seres, com a tal falta de civismo que me irrita. E, surpresa, tinham um ar tão normal, podiam até ser meus amigos (quer dizer, poder não podiam porque nisso dos amigos sou muito picuinhas e dou muito poucas abébias). 

Porque é que, e espero que haja alguém que me saiba responder porque isto atormenta-me há anos, as pessoas, quando percebem que se avançarem vão atravancar o trânsito no sentido contrário (porque à frente o sinal está vermelho) avançam à mesma? E porque é que, como aquelas pessoas de ontem, algumas vezes ainda se riem ou ignoram quando os outros buzinam para passar? 

É oficial, estou farta do transito. Mas é ainda pior, porque sei que a culpa não é do transito, é dos atrasados sem civismo que causam o trânsito. 

Vou passar a andar de autocarro (ou então não). 


terça-feira, 27 de abril de 2010

Hoje foi assim




Praia. Praia. Praia. 
Teve que ser. 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Peças com defeito.




Exmº Senhor, 

Venho por este meio fazer reclamação de algumas amigas que adquiri na sua loja e que penso ainda estarem na garantia. 

A primeira comprei-a há um ano e, verdade seja dita, desempenhou o seu papel ainda bastante tempo até que descobri que dormia com o meu namorado (agora ex-namorado) ao mesmo tempo que eu. Por isso deve haver algum problema com ela e gostaria que a aceitassem de volta e me devolvessem o dinheiro. 

A segunda e à qual mais me afeiçoei vinha com um pequeno defeito (não a devolvi logo porque achei que devia ser implicância minha) : não gostava de sair à noite, nem dançar, nem beber. Sim, tentei que resultasse porque no resto estava tudo muito bem mas ao fim de algum tempo estar todas as noites em casa a ver filmes e séries já me cansava a cabeça. Esta é a parte que me custa mais porque, como disse, habituei-me muito a ela mas vai ter que ser e, claro, preciso que me devolvam o dinheiro embora não pretenda escrever nenhuma reclamação. 

A terceira era super divertida, tal como me prometeram na loja, mas ao fim de três semanas já estava farta. Falava que se fartava, cheguei a deitar-me mais cedo várias vezes só para não ter que a ouvir ao telefone. Até tentei emprestá-la a uma outra amiga (também adquirida na vossa loja e da qual, até agora, não tenho qualquer queixa) mas não consegui. O único problema (decerto não será um problema, o vosso serviço é óptimo) é que perdi o talão, não sei mesmo onde o pus, acho que deitei para o lixo no meio de outros papeis. Se houver algum problema, posso abdicar do dinheiro, o importante é que a aceitem de volta. 

A outra amiga trouxe-a já nem sei porquê, acho que precisava de me distrair, mas, apesar de ser perfeita, ou quase, a semana passada faltou ao meu aniversário, uma enorme festa que dei para todos os amigos e conhecidos, e deu uma desculpa esfarrapada que não me convenceu minimamente. Esta não tenho a certeza se já terminou os 2 anos de garantia mas penso que ainda não. De qualquer forma, quero fazer uma reclamação, aliás, acho indecente fornecerem este tipo de amigas às vossas clientes, estou um pouco desiludida. 

A quinta e última já a adquiri há mais de um ano e até chorei quando tive que tomar esta decisão mas é assim, temos que fazer o que é preciso. Não consigo que ela diga mal de ninguém, o que às vezes até pode ser vantajoso, mas depois passa a ser só aborrecido. Porque nós, as amigas mulheres, gostamos de cuscar um bocadinho, sussurrar sobre este e aquele mas esta menina, que me venderam ainda por cima a um preço carissimo, não consegue nem dizer mal de quem não gosta. Francamente, o que vale é que guardei o talão muito bem, acho que desconfiei logo que havia qualquer coisa errada com ela. 

Se conseguirem arranjar algumas destas imperfeições que mencionei agradeço que me digam para eu decidir se afinal fico com elas (embora haja umas que claramente não valem a pena). 
Atenção que não procuro um pedido de desculpas, embora também ache que mereça, nem nenhuma troca, mas sim a devolução total do dinheiro para poder seguir com a minha vida e analisar as outras amigas que entretanto adquiri. 

Com os meus cumprimentos. 



Hoje fui ver um filme do festival IndieLisboa


e fiquei maravilhada com a sala lotada. Nem um lugar vazio, um único. 
As pessoas estão mais cultas ou está na moda ser (falso) culto?

Anyway, "Go get some rosemary" repete dia 30 de Abril no cinema Londres. 

Não esquecer.



Desconfio que daqui a uns anos, alguns, talvez já não esteja cá para ver, o 25 de Abril não vai ser mais do que uma matéria aborrecida num qualquer livro de história da escola. 

Por isso vou fazer questão de dizer aos meus filhos que foi graças a pessoas corajosas, ousadas, e dispostas a lutar por aquilo que acreditavam que agora temos um país livre. E vou também obrigá-los a ouvir o que significa termos um país livre - em que não temos pessoas presas todos os dias por conspirarem contra o regime, em que não nos entra a policia pela porta enquanto estamos a jantar para prender um de nós, em que não temos que esconder ninguém das mãos do governo "debaixo da nossa cama" nem temos que contar com a amizade de outros para nos esconder a nós. 

Um dia, quando o 25 de Abril não estiver na boca de ninguém, vou contar com eles para o colocar na boca dos meus netos e bisnetos e por aí fora. Vou fazer questão de lhes dizer que sangue do meu sangue lutou, à sua maneira, contra o regime, foi preso e perdeu muitas outras coisas - mas nunca a dignidade. 

E vou fazer com que eles percebam o que alguns não percebem agora. 


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Music



Começam amanhã e terminam domingo os dias da música no CCB. 
Vale a pena ir lá ver nem que seja um concerto, porque cultura a mais nunca fez mal a ninguém. 

Carta ao homem dos tempos modernos




Caro homem (romântico ou não) dos tempos modernos: 

Por favor deixe de lado os "amorzinhos", mor para aqui e para ali e todas as palavras acabadas em "inha". Por favor deixe-nos, a nós, mulheres dos tempos modernos, por os pés no tablier do carro quando voltamos da praia ou quando nos apetece fingir que somos umas raparigas despreocupadas, tal e qual umas adolescentes acabadas de sair das aulas, com o resto dos dias pela frente. Caro homem do "agora": não é nada cool ser picuinhas com o carro, o que nós gostamos é um bocadinho de espontaneidade, sair do restaurante e ir talvez até ao Alentejo, ou até Espanha, ou até França se quisermos ser mais ousados. Por isso não vale "cuidado com os bancos" ou "riscaste-me a porta". 

Caro senhor: não vale a pena assustar-se com as palavras "viver junto" ou "casar". pode não nos querer para todo o sempre mas nós, mulheres romanticas e de filmes de domingo, gostamos de um bocadinho de contos de fadas e de inocência. Provavelmente também não quereremos passar o resto das nossas vidas consigo mas gostamos de fingir que vamos ter um final feliz mais tarde ou mais cedo. 

Não se atreva, jamais, a dizer mal das nossas amigas, a não ser, claro, que nem um dia queira estar connosco. Mesmo quando nos zangamos todas umas com as outras, nunca o vamos deixar relembrar-nos isso ou outros acontecimentos passados. Podemos nós dizer mal, até nos cansarmos, mas nunca deverá proferir qualquer ofensa contra elas. 

Não pense, caro senhor, que presentes são coisas do passado e que manifestações de afecto é para maricas. Queremos o nosso carro cheio de balões, surpresas de olhos vendados, flores como pedido de desculpa, uma serenata se a asneira for muito grande. 

Não fique todo vaidoso quando dizemos às nossas amigas como é simpático e atencioso e como é tão engraçado quando bebe uns copos. Sim, isso é giro, mas não é o que dizemos dos namorados. 

Não ache, homem dos tempos modernos, que não vemos quando mente ou trai. É aí que entra o nosso poderoso sexto sentido e, claro, uma ou outra amigas espias. Descobrimos sempre. E fazemos sempre pior. Ou já fizemos. 

Ser grunho não é um ponto a favor. Gostamos que nos segurem a porta, que nos deixem sempre passar primeiro, que nos abram a porta do carro. 

Não gostamos, homem dos tempos modernos, de meninos aborrecidos, é bom ser bem-educado, é péssimo não beber, não dançar, não "furar" expectativas e não desiludir uma vez ou outra. 

É importante que saiba falar mais do que 3minutos sem dizer nenhum erro e que tenha um discurso mais ou menos coerente (menos quando já bebeu uns copos, aí não ligamos e tem desculpa)

Ah, e homem do agora, faça-se dificil. Odiamos homens fáceis, gostamos de achar que tem imensas pretendentes, nem que seja para nos juntarmos todas a dizer mal delas, encanta-nos a fase da conquista. Mas atenção, nada de arrogância a mais, por muitas razões que tenha, tudo com conta, peso e medida. 


Sim, caro homem dos tempos modernos, é dificil saber como nos agradar mas uma vez descoberto, não há como se enganar. 
Truque: fazer sempre o oposto do que acha que é o correcto (lá chegará o tempo em que consiga acertar sem ter que fazer estes jogos)

Boa sorte. 

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A inveja é uma coisa tão feia


Mas esta campanha está fantástica. Adoro, adoro. 
E não há como não ter inveja (que é tão feio!)












segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nazaré



Acho que a Nazaré é um pouco minha. Como todos os sitios por onde passei e deixei algo. Mas com a Nazaré tenho uma relação diferente, quando chego digo-lhe olá e ela responde-me com a espuma das ondas e o cheiro a maresia e quando me vou embora (nunca por muito tempo) sei que ela me diz até logo no momento em que as gaivotas aterram na areia, mesmo mesmo no fim da tarde, quando o sol se põe no horizonte laranja. 
A Nazaré é um bocadinho minha porque regressar me faz sempre sentir como voltar a casa. 

Por isso o meu orgulho da Nazaré ter atravessado fronteiras e ter ancorado em Nova Iorque, no Museu de Arte Moderna, no meio de mais de 300 fotografias da autoria de Cartier-Bresson. (entre elas encontra-se também Lisboa retratada no Mosteiro dos Jerónimos) 
É caso para dizer, está tão crescida a minha Nazaré.  

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pela boca morre o peixe.




Muito cuidado com o que dizem ou escrevem.

Uma jornalista britânica escreveu no jornal The Telegraph 
“Estou disposta a apostar o meu apartamento e o seu conteúdo como ninguém alguma vez disse as palavras Ryanair, maravilhoso e serviço na mesma frase”

E agora a Rynair reclama o prémio da aposta e publica no seu site algumas cartas que recebeu de passageiros satisfeitos. 

A noticia aqui. 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sporting


- Então, o que achaste do teu sporting?
- Está muito verde. 

Ouvi hoje quando vim do estádio. 
Adoro trocadilhos. 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Superstições



Estou a fazer figas. 
Quem sabe da minha vida fará comigo, quem não me conhece tem que esperar, porque dá azar falar antes de acontecer. 

simpatia, ginásios e mais uma ou outra coisa.




A diferença entre um bom e um mau serviço podia-se ver pura e simplesmente por uma variável: a vontade de agradar. Porque isto leva a tudo o resto. Vamos querer voltar, vamos falar aos amigos daquela senhora tão simpática ou da forma como fomos tratados e, inevitavelmente, vamos confiar mais. Sou daquelas pessoas para as quais é essencial a simpatia e prontidão para gostar de um determinado local ou serviço. Não volto se achar que não fui servida com um sorriso. Até porque, convenhamos, há tanta gente a precisar de trabalho e às vezes aparece com cada funcionário irritado que dá vontade de perguntar se não se quer despedir. Acho mesmo que a marca fica a perder porque se eu for a um café ( e isto é um exemplo) Delta (vamos imaginar) e não for bem atendida não voltarei certamente a nenhum café Delta. 

Isto a propósito do ginásio que frequento. Desde o momento em que entrei que me senti bem vinda. É um ginásio pequeno e a pessoa que dá a cara por ele é extremamente atenciosa, prestável e bem disposta. E tenho a certeza que não está bem disposta todos os dias mas ali, no local de trabalho, vejo-a sempre com um sorriso. E isto, claro, é profissionalismo. Acompanhado de tacto. E boa educação. 
Tenho a certeza que tentarei de tudo para ficar ali, mesmo que comece a trabalhar tão longe que tenha que fazer 1 hora para lá chegar. E isto tudo porque gostei das pessoas e da equipa. (como é que as empresas não percebem que é isto que fideliza clientes?)

Ser simpático sem falar de mais de si próprio mas o suficiente para nos parecer familiar e acessível é um trunfo que todos temos na manga mas que poucas pessoas usam no peso certo. Neste caso, em serviços como os ginásios, deveria ser mais usada. 
Noutros casos, como os cafés, basta saberem dizer por favor, obrigada e não ter cara de quem "toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga", mas são tudo coisas que estão a cair em desuso. 






Polaroid 1




A propósito deste meu post de há uns dias, aqui fica o aspecto final do muro de fotografias de que falei. 




domingo, 11 de abril de 2010

Gosto.


Acho que já aqui disse mas não resisto a um bom poema ou a uma boa história. Acho até que se tivesse que escolher um homem às cegas, o seleccionaria pela maneira de escrever. 
"I carry your heart with me" deixa-me sempre com um sorriso nos lábios e a certeza de que o amor tudo pode. 


i carry your heart with me by E. E. Cummings
i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)

Feeling


O  Cristiano Ronaldo ganha milhões para ter feelings

sábado, 10 de abril de 2010

Hora da sesta.




Na hora de dormir, não sou uma pessoa esquisita. 
Mesmo assim, porque não pedir em grande e fazer uma sesta com estilo?

Tudo aqui. 

Polaroid.





Hoje, das 17h às 18h30, no largo de São Carlos há uma exposição de fotografia na rua. Toda a gente pode participar. Ou então ficar só a ver o que surge. 
A ideia é levar uma fotografia, artistica ou não, com pessoas ou não, bonita ou não, colar na parede e ficar a ver a dimensão que atinge. Às 18h30 o espaço para ser artista termina e aí, tem duas hipóteses: levar de volta a sua fotografia ou escolher outra que lhe agrade. 
Para os mais ambiciosos, podem também escrever o email nas costas da fotografia e esperar que quem a leve tenha alguma influência. 

Quem gostar muito, é marcar a viagem e escolher um dos países onde esta exposição ambulante se vai repetir.

É uma iniciativa da Wallpeople e, no fundo, será como uma fotografia: momentânea. 

sábado, 3 de abril de 2010

Se os cães se rendessem à escrita.



Gostando de brincar com as palavras, ando a aprender a "decifrar" as fontes. 
Se as fontes fossem cães não sei se gostaria tanto , mas aqui fica a interpretação, pelo designer Graham Smith. 




Turismo





Metade de quinta feira fui turista no mundo dos pequenos. Perdi-me no meio de tanta criançada e maravilhei-me com os sorrisos encantados e as correrias entusiasmadas. 
Na Kidzania é assim: as crianças, ou os senhores e senhoras (como são tratados) é que mandam. Eles é que guardam o dinheiro, escolhem a profissão ou fazem o almoço. E têm de tudo: bombeiros, policia, reporteres, carteiros.
Para os mais despistados, há localizadores. Basta ir à máquina, passar a pulseira que é dada à entrada e escolher quem procura - o localizador trata do resto e indica o sítio exacto onde a pessoa - ou criança - se encontra. 

E ainda há mais. Nas mais de três horas que estive lá, não consegui encontrar um único funcionário antipático. Antes pelo contrário, respondem-nos todos com um sorriso na cara e a paciência intacta, mesmo quando sabemos que passam o dia ali, no meio daquela gigantesca barulheira. 

Vale a pena visitar o mundo das crianças no Dolce Vita Tejo. Eu, enquanto turista, fiquei encantada. As crianças com quem ia, senhores (como são tratados), vieram o caminho todo a trocar experiências e a falar das melhores profissões. 

Recomenda-se.